POR ESCRITO | Literatura, crônica e pensamento. | Este blog integra Boucheville, cidade autoral criada por Cinthya Verri para reunir seus diferentes territórios de escrita, imagem, música e criação.
Cinthya Verri lê trecho de Silencioso Como o Paraíso, de Vicente Franz Cecim no Festipoa Literária de 2013 — Teatro Bruno Kiefer, Casa de Cultura Mário Quintana.
INT. THE CHURCH ALTAR - FATHER FLYNN AT THE PULPIT - DAY
FLYNN What do you do when you’re not sure? That’s the topic of my sermon today.
Last year, when President Kennedy was assassinated, who among us did not experience the most profound disorientation? Despair?
Which way? What now?
What do I say to my kids? What do I tell myself? It was a time of people sitting together, bound together by a common feeling of hopelessness.
But think of that! Your BOND with your fellow being was your Despair. It was a public experience. It was awful, but we were in it together.
How much worse is it then for the lone man, the lone woman, stricken by a private calamity?
"No one knows I’m sick."
"No one knows I’ve lost my last real friend."
“No one knows I’ve done something wrong.” Imagine the isolation.
Now you see the world as through a window. On one side of the glass: happy, untroubled people, and on the other side: you.
I want to tell you a story.
A cargo ship sank one night. It caught fire and went down. And only this one sailor survived. He found a lifeboat, rigged a sail...and being of a nautical discipline...turned his eyes to the Heavens and read the stars
He set a course for his home, and exhausted, fell asleep
Clouds rolled in. And for the next twenty nights, he could no longer see the stars. He thought he was on course, but there was no way to be certain
And as the days rolled on, and the sailor wasted away, he began to have doubts
Had he set his course right? Was he still going on towards his home?
Or was he horribly lost and doomed to a terrible death?
No way to know. The message of the constellations - had he imagined it because of his desperate circumstance? Or had he seen truth once and now had to hold on to it without further reassurance?
There are those of you in church today who know exactly the crisis of faith I describe.
And I want to say to you: Doubt can be a bond as powerful and sustaining as certainty. When you are lost, you are not alone.
In the name of the Father, the Son, and the Holy Ghost.
Diz meu adorado amigo Leandro Galvin em seu a thousand ways:
KEEP ON TRYING
Novamente, acho que não me fiz entender. É o menor dos pecados: deveríamos nos ajoelhar em agradecimento à nossa cotidiana incapacidade de expressar com precisão o que queremos dizer, seja numa conversa, num texto ou numa fotografia. Pois é justamente essa inexatidão que nos move a continuar tentando, rumo a um novo ponto de desconforto, e a outro, e a um próximo, na mais ou menos longa sequência de fracassos que reconheceremos como a nossa vida – quando terminar.
(ele me contou que não foi de sua autoria o texto, foi o autor do reconhecimento de Cuenca)
Diz o maravilhoso Barthes, em seus Fragmentos do Discurso Amoroso:
(...)não posso eu mesmo (sujeito enamorado) construir até o fim minha história de amor: sou o poeta (o recitante) apenas quanto ao começo; o fim dessa história, assim como minha própria morte, pertence aos outros, a eles cabe escrever esse romance, narrativa exterior, mítica.
(...)Procuro, começo, tento, vou mais longe, corro, mas nunca sei que acabo: da Fênix, não dizemos que morre, mas apenas que renasce (posso pois renascer sem morrer?)Posto que não me sinto pleno e que entretanto não me mato, o errar amoroso é fatal.
4. No transcorrer de uma vida, todos os "fracassos" de amor se assemelham ( e com razão: todos eles procedem da mesma falha). X... e Y... não souberam (quiseram, puderam) responder à minha "demanda", aderir à minha "verdade"; não mexeram uma vírgula em seu sistema; para mim, um não faz senão repetir o outro. E contudo X... e Y... são incomparáveis; é em sua diferença, modelo de uma diferença infinitamente renovada, que extraio a energia para recomeçar. A "mutabilidade perpétua" (in inconstantia constans) que me anima, longe de esmagar todos os que encontro sob o mesmo tipo funcional (não responder à minha demanda), desloca com violência sua falsa comunidade: o errar não alinha, faz rebrilhar: o que se repete é a nuança. Continuo assim, até o fim da tapeçaria, de uma nuança a outra (a nuança é o último estado da cor, aquele que não pode ser nomeado; a nuança é o Intratável).
Sem lilases é o teu cabelo, o teu rosto de espelho. De olho para olho segue a nuvem, como de Sodoma para Babel: desfolha a torre como folhagem e brama em torno do arbusto de enxofre.
Há então um relâmpago cortando a tua boca - aquele abismo com os restos do violino. Com dentes de neve há um que maneja o arco: mais belo o som da cana!
Amada, também tu és a cana e nós todos a chuva; o teu corpo um vinho sem igual, e somos dez a bebê-lo; o teu coração uma barca no trigo, nós levamo-la em direção à noite; um cantarinho azul, saltas assim ligeira sobre nós, e nós dormimos...
Passa diante da tenda a centúria, e emborrachados levamos-te a enterrar.
E soa então nas lages do mundo o duro táler dos sonhos.
...are atheists and agnostics who make sense of the world using reason, experience and shared human values. We take responsibility for our actions and base our ethics on the goals of human welfare, happiness and fulfillment. We seek to make the best of the one life we have by creating meaning and purpose for ourselves, individually and together.
The odds of seeing three albino deer at once are one in seventy-nine billion, yet one man in Boulder Junction, Wisconsin, took a picture of three albino deer in the woods.
Antes de sair para vê-la, botei o par no meu colo e passei um minucioso pano em suas bordas, lustrei e escovei a lâmina preta de couro. Quando soprei os cadarços, recuperei um pouco da véspera das reuniões dançantes da adolescência. Alegre véspera em que me enamorava desde casa. Colocava uma fita-cassete e, de banho tomado, inspecionava minhas roupas dormindo na cama (as roupas eram irmãos menores que tinha a obrigação de acordar).
Talvez devesse usar mais sapato.
No amor, fiquei sempre entre o adiamento (evitar o encontro) e a antecipação (não pensar em outra coisa). Eu sofro mais na antecipação, mas o adiamento é mais triste.
O que me põe a sofrer, portanto, não é triste. Sofro seu preenchimento ou sua carência ou os dois juntos: uma ausência transbordada de mim.
Exercito a falta de domínio. Aliás, não sei por quem vai se apaixonar se estou me despersonalizando cada vez mais, perigosamente perto da extinção dos meus gostos e do meu estilo.
Engano pensar que o que mais dói é o que nos incomoda. O que mais dói é o que desejamos. O desejo é uma dor sem pouso. Não arrebenta na pele para repetirmos seu trajeto.
Quando amamos não somos suficientes como no dia anterior. Somos terrivelmente dependentes, confusos, mudamos os nossos horários para uma fresta, não queremos nos ocupar para permanecermos livres em caso de uma surpresa. Mexemos o braço de um corpo que já não é nosso. Atendemos ao telefone em reunião, despertamos o interesse pelos ralos e bordas e paredes manchadas.
Somos aquilo que vivíamos criticando em nossos amigos: a espera resignada por alguém. A submissão.
Só posso concluir que o amante não é tapete da sala, é capacho. Estamos mais na porta do que dentro de alguma palavra.
No amor, todos são donas-de-casa. Donas-de-casa limpando a sala, recolhendo os farelos e encerando as janelas pela transparência. Donas-de-casa disponíveis a preparar a comida, arrumar a cama, atender caprichos insanos. Vou hoje preparar biscoitos, eu que nunca ligo o fogão e não gosto deles. Para somente manter a mão funcionando e untar lentamente a fôrma. E esperar algo que não seja você. Ou esperar você de outro modo, quando finjo não esperar.
Amar é a mais grave ausência de democracia. Amar é exploração. Amar é trabalho-escravo. Não recomendo a ninguém, tampouco condeno.
Não me importo de ranger os cotovelos na mesa e de reparar os cantos com obstinação, como se fosse surgir por milagre na esquina de meu quarto. Não inspiro pena, estou agonizando com toda a saúde.
Mas o que me faria realmente sofrer é a falta de sofrimento do adiamento. Prefiro sofrer agora o que nem entendo do que entender meu sofrimento. É melhor, muito melhor.
Dependo de seu retorno para acreditar que a primeira vez - de tão perfeita - não foi minha invenção.
Why can't we give love that one more chance Why can't we give love give love give love give love give love give love give love give love give love 'Cause love's such an old fashioned word And love dares you to care for The people on the edge of the night And loves dares you to change our way of Caring about ourselves This is our last dance This is our last dance This is ourselves Under pressure Under pressure
[there is never just one choice; there is always more than one path. And no matter if you think you know just what you’re getting yourself into, chances are you don’t.]