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quinta-feira, 19 de abril de 2012

HIPNOSE POÉTICA



A médica e comunicadora Cínthya Verri estreia na literatura com coquetel na terça à noite.

Na terça-feira, 08 de maio, sai o livro de poesia "Constantina" pelo selo paulista Edith. A autora retrata sua infância na cidade onde nasceu, no extremo norte do estado, situada a 355 quilômetros de Porto Alegre.

Disposta em três capítulos (Destino, Fatalidade e Acaso), a obra é marcada pelos versos pungentes, curtos e densos. Expõe os excessos conservadores da educação que sofriam as meninas no interior do estado.

"dentro de casa
precisava ter ânimo
para ficar sem vontade"

A crítica Noemi Jaffe é uma das entusiastas do estilo substantivo e iluminado de Cínthya:

"Aqui há zelo, contenção e minimalismo, embora os poemas não sejam cerebrais. Há também nostalgia e melancolia, e o mistério de nenhum transbordamento."

Venha conferir a obra a partir das 19h no Restaurante Suzanne Marie: rua Tobias da Silva, 267/506.

Vendas online logo após o lançamento em visiteedith.com

HIPNOSE POÉTICA



A médica e comunicadora Cínthya Verri estreia na literatura com coquetel na terça à noite.

Na terça-feira, 08 de maio, sai o livro de poesia "Constantina" pelo selo paulista Edith. A autora retrata sua infância na cidade onde nasceu, no extremo norte do estado, situada a 355 quilômetros de Porto Alegre.

Disposta em três capítulos (Destino, Fatalidade e Acaso), a obra é marcada pelos versos pungentes, curtos e densos. Expõe os excessos conservadores da educação que sofriam as meninas no interior do estado.

"dentro de casa
precisava ter ânimo
para ficar sem vontade"

A crítica Noemi Jaffe é uma das entusiastas do estilo substantivo e iluminado de Cínthya:

"Aqui há zelo, contenção e minimalismo, embora os poemas não sejam cerebrais. Há também nostalgia e melancolia, e o mistério de nenhum transbordamento."

Venha conferir a obra a partir das 19h no Restaurante Suzanne Marie: rua Tobias da Silva, 267/506.

Vendas online logo após o lançamento em visiteedith.com

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Nereu Ramos


Foto do acervo pessoal.

De pedras tortas como conchas
E terra rubra de secar a boca
A rua da minha infância
Vestia moldura de calçada baixa
E rampas para alcançar as rodas
Quando asfaltaram a lomba
Inaugurei o piche com a pele.

Nereu Ramos


Foto do acervo pessoal.

De pedras tortas como conchas
E terra rubra de secar a boca
A rua da minha infância
Vestia moldura de calçada baixa
E rampas para alcançar as rodas
Quando asfaltaram a lomba
Inaugurei o piche com a pele.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mágoa


Martin O'Neil's artwork


Não é uma fralda branca de algodão
Não é uma compressa para secar o sangue
Não é aprender a limpar os olhos
Não é remover o rímel com leite de aveia
É a aveia que engrossa o magro leite de minha mãe.

Mágoa


Martin O'Neil's artwork


Não é uma fralda branca de algodão
Não é uma compressa para secar o sangue
Não é aprender a limpar os olhos
Não é remover o rímel com leite de aveia
É a aveia que engrossa o magro leite de minha mãe.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O Caso do Gato


Miou toda a manhã todinha
Miou como se piasse
Enfiado na minha cabeça

À tarde na calçada
Houve um só silêncio

O cachorro veio,
E se debruçou
Sobre a presa
E não fez nada.

À noite ele voltou
acompanhado.

Não sabia que cães premeditavam.

O Caso do Gato


Miou toda a manhã todinha
Miou como se piasse
Enfiado na minha cabeça

À tarde na calçada
Houve um só silêncio

O cachorro veio,
E se debruçou
Sobre a presa
E não fez nada.

À noite ele voltou
acompanhado.

Não sabia que cães premeditavam.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Paternagem

Constanze Moll´s artwork


Quando cheguei, já estava.
Não latia a não ser para avisar
de movimentos estranhos nos roseirais.

Não gemeu jamais nunca
nem mesmo com anzol fisgando as carnes,
nem mesmo com ovas, larvas, bernes,
nem mesmo na fome da tigela ensebe,
nem mesmo no sufoco tinto do pátio.

Podia andar nele como um cavalo,
um camelo negro, orfeu
de minha infância

Suportava aos pêlos
Até que puseram
seu filho no mundo.

Desengonçado, cria arredia:
fugia, atacava, mordia,
sangrava bergamotas,
colhia gritos nervosos dos passantes,
sofria pontapés e chuva de coices.

O pastor pagava tudo no corpo.
Não teve crédito
para a dor fora de si.

Meu cachorro morreu de paternidade.

Paternagem

Constanze Moll´s artwork


Quando cheguei, já estava.
Não latia a não ser para avisar
de movimentos estranhos nos roseirais.

Não gemeu jamais nunca
nem mesmo com anzol fisgando as carnes,
nem mesmo com ovas, larvas, bernes,
nem mesmo na fome da tigela ensebe,
nem mesmo no sufoco tinto do pátio.

Podia andar nele como um cavalo,
um camelo negro, orfeu
de minha infância

Suportava aos pêlos
Até que puseram
seu filho no mundo.

Desengonçado, cria arredia:
fugia, atacava, mordia,
sangrava bergamotas,
colhia gritos nervosos dos passantes,
sofria pontapés e chuva de coices.

O pastor pagava tudo no corpo.
Não teve crédito
para a dor fora de si.

Meu cachorro morreu de paternidade.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Para assar pão de queijo


Chelsea Greene Lewyta´s amazing artwork



Aos vinte,
acendo a superfície,
está crua.

Aos vinte e cinco,
acaricio a face.
Avanço a forma,
é cedo ainda.

Aos trinta,
cresço o calor do forno,
pareço cruel no trato.

Aos quarenta,
apresso o andar do fogo,
Queimo o tato.
A lâmina raspa o fundo.

Aos cinqüenta,
um halo escurece a base,
esfria o centro.
Persisto. Provo mesmo assim.

Nada prodigioso.
Quando pronta,
já estou farta.

Para assar pão de queijo


Chelsea Greene Lewyta´s amazing artwork



Aos vinte,
acendo a superfície,
está crua.

Aos vinte e cinco,
acaricio a face.
Avanço a forma,
é cedo ainda.

Aos trinta,
cresço o calor do forno,
pareço cruel no trato.

Aos quarenta,
apresso o andar do fogo,
Queimo o tato.
A lâmina raspa o fundo.

Aos cinqüenta,
um halo escurece a base,
esfria o centro.
Persisto. Provo mesmo assim.

Nada prodigioso.
Quando pronta,
já estou farta.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um Fôlego



Ontem, separando os textos para o Sarau, escolhi alguns poemas. Mandei para o Fabrício ver em quais daqueles ele votava. Devolveu um email com quatro deles em ordem.
Descobrimos que eu escrevo como se num único fôlego. Olha como ficou:


Sarau


luzes, lanternas, lisuras
nada sabe
a saudade é sinistra.

chegue um pouco mais
vem ver o corpo por dentro
a sujeira tem temperatura

olha a selvageira explícita
meu riso histérico
lavava todo o oriente médio.

Não dormem esses duendes?

Planejo mirabolâncias sangrentas
Raspar, esfolar, desmembrar os mínimos

Nenhum será poupado

Corvos de roubar córneas,
Coragem e rins.

Nunca mais não existe
Diante da minha própria finitude.

Durmo de corpo tomado
O que mais invejo é o que não invento

Me descalço de graça
Preciso sangrar os pés
Finos e magros,
Vejo as vidraças da pele.

Eu me desfaço a pedradas
entre as veias.

meus músicos reunidos
no poço do palco

só a música me enxerga

meus mortos reunidos
na música

gostar de quem
crer em deus
faltas que não sinto
da mãe, do irmão

meus quartos com as camas desfeitas
gente que partiu de mim
gente que mandei embora
sem me despedir dos ouvidos.

Um Fôlego



Ontem, separando os textos para o Sarau, escolhi alguns poemas. Mandei para o Fabrício ver em quais daqueles ele votava. Devolveu um email com quatro deles em ordem.
Descobrimos que eu escrevo como se num único fôlego. Olha como ficou:


Sarau


luzes, lanternas, lisuras
nada sabe
a saudade é sinistra.

chegue um pouco mais
vem ver o corpo por dentro
a sujeira tem temperatura

olha a selvageira explícita
meu riso histérico
lavava todo o oriente médio.

Não dormem esses duendes?

Planejo mirabolâncias sangrentas
Raspar, esfolar, desmembrar os mínimos

Nenhum será poupado

Corvos de roubar córneas,
Coragem e rins.

Nunca mais não existe
Diante da minha própria finitude.

Durmo de corpo tomado
O que mais invejo é o que não invento

Me descalço de graça
Preciso sangrar os pés
Finos e magros,
Vejo as vidraças da pele.

Eu me desfaço a pedradas
entre as veias.

meus músicos reunidos
no poço do palco

só a música me enxerga

meus mortos reunidos
na música

gostar de quem
crer em deus
faltas que não sinto
da mãe, do irmão

meus quartos com as camas desfeitas
gente que partiu de mim
gente que mandei embora
sem me despedir dos ouvidos.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Rebenque



Kristian Olson
6" x 8" Digital, Acrylic, Pencil
Created for the December 2008
Small Works & Inventory
Sale at Wal-Art gallery in Los Angeles.



sou lata descendo a escada
os calcanhares, martelos
então, corro.
cruzo o riso, a rua, a rodoviária
respiro mínimos arames
o peito batendo panelas
me arrasto puxando as sombras
até provar que seria capaz
de morrer de obediência.

Rebenque



Kristian Olson
6" x 8" Digital, Acrylic, Pencil
Created for the December 2008
Small Works & Inventory
Sale at Wal-Art gallery in Los Angeles.



sou lata descendo a escada
os calcanhares, martelos
então, corro.
cruzo o riso, a rua, a rodoviária
respiro mínimos arames
o peito batendo panelas
me arrasto puxando as sombras
até provar que seria capaz
de morrer de obediência.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Racionamento


Clayton Brothers´ Jumbo Fruit
July 18 - August 29 at Patick Painter (LA) (www.patrickpainter.com)



Sacode a cafeteira exausta
Enquanto fuma o terceiro último cigarro

aceitar o fim do dia é um risco

e adiar parece um prazer
que retarda meu momento mais caro

mastigo o escuro esperando que durmas
para enfim
te apanhar
fincar as unhas em teus centímetros de grama e chão batido
ser sal na água dilatando teu repouso
encarniçada sobre tua boca de vapor
te gastando
até que tua voz fuja do corpo
banida e surrada pelo meu quadril.

É de fome que esmago teu sono
reparto o cansaço e como.

Racionamento


Clayton Brothers´ Jumbo Fruit
July 18 - August 29 at Patick Painter (LA) (www.patrickpainter.com)



Sacode a cafeteira exausta
Enquanto fuma o terceiro último cigarro

aceitar o fim do dia é um risco

e adiar parece um prazer
que retarda meu momento mais caro

mastigo o escuro esperando que durmas
para enfim
te apanhar
fincar as unhas em teus centímetros de grama e chão batido
ser sal na água dilatando teu repouso
encarniçada sobre tua boca de vapor
te gastando
até que tua voz fuja do corpo
banida e surrada pelo meu quadril.

É de fome que esmago teu sono
reparto o cansaço e como.

EU TE DISSE

Entro na cozinha de manhã. Quer dizer, entro na cozinha às 11h, que é toda a minha manhã. As ondas de calor desde a porta já me avisavam q...