segunda-feira, 23 de abril de 2007

Vinte Minutos


Vinte minutos faltam
Para amanhã
Quatro cigarros, aproximadamente
E amanhã chegará
Pungente
Independentemente
Independente – mente minha
O amanhã romperá
A manhã violentará a noite
Apesar dos berros que daria
Apesar de meus latidos e uivos
A realidade desliza
Por sobre mim
Pra que insisto em revoltar-me?
Pra que insisto em revoltas
Se voltas e voltas o mundo dá
Se a poesia tão pouco silencia
Se a paixão é uma dama japonesa
Ou um whisky irlandês
(Bebo)


Quem sou afinal?
Se pergunto, some a resposta
Sobra a verdade



A verdade que falo

É indizível.

Vinte Minutos


Vinte minutos faltam
Para amanhã
Quatro cigarros, aproximadamente
E amanhã chegará
Pungente
Independentemente
Independente – mente minha
O amanhã romperá
A manhã violentará a noite
Apesar dos berros que daria
Apesar de meus latidos e uivos
A realidade desliza
Por sobre mim
Pra que insisto em revoltar-me?
Pra que insisto em revoltas
Se voltas e voltas o mundo dá
Se a poesia tão pouco silencia
Se a paixão é uma dama japonesa
Ou um whisky irlandês
(Bebo)


Quem sou afinal?
Se pergunto, some a resposta
Sobra a verdade



A verdade que falo

É indizível.

sábado, 14 de abril de 2007

Chuva e Guarda-chuva




Poesia - Cínthya Verri
Arranjo gráfico - Cleyton Arghiropol

Chuva e Guarda-chuva




Poesia - Cínthya Verri
Arranjo gráfico - Cleyton Arghiropol

Embraçamento (14.12.06)


E o amor
Queimando no peito
Na alcova do peito
No fundo
E se espalhando em ondas
De calor pelo corpo

Te vejo brincar
Com amor tão livre
Tanta coragem

(E tão comum de se perder
Essa coisa que se perde)

Você e o brinquedo
De amor
(fantasia)

Fico inflamada
De amor por ti

Lembro
Que a vida é linda
E que pode ser procriada

Prece
À Nossa paz secreta-interna:
Embraçados no silêncio,

Que suportemos a felicidade.

Embraçamento (14.12.06)


E o amor
Queimando no peito
Na alcova do peito
No fundo
E se espalhando em ondas
De calor pelo corpo

Te vejo brincar
Com amor tão livre
Tanta coragem

(E tão comum de se perder
Essa coisa que se perde)

Você e o brinquedo
De amor
(fantasia)

Fico inflamada
De amor por ti

Lembro
Que a vida é linda
E que pode ser procriada

Prece
À Nossa paz secreta-interna:
Embraçados no silêncio,

Que suportemos a felicidade.

A Boca e o Meio


Elza canta
Também estou aí,
Que é que há?
Estou nessa boca.

Mas se (e se me) (e se se)
Cala a boca poética
Estou fora da boca.

Entro na boca
Acende-me a chama
E pressinto o incêndio
É aí que me p a r o.

Entro na boca
Olha que me perco de vez
Sem perder-me no fim

O verso

Justifica os meios.

A Boca e o Meio


Elza canta
Também estou aí,
Que é que há?
Estou nessa boca.

Mas se (e se me) (e se se)
Cala a boca poética
Estou fora da boca.

Entro na boca
Acende-me a chama
E pressinto o incêndio
É aí que me p a r o.

Entro na boca
Olha que me perco de vez
Sem perder-me no fim

O verso

Justifica os meios.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Mandato do Querer (ago/06)

Compreendo agora, nesse mesmo instante
Que o borrado passado, não muito distante,
É simples pedaço de falso brilhante
Usamos (des)culpa de sermos infantes:
E agora, crescidos, dizemos: abuso
Mentira que seja uma repetição
Façamos um novo e mais nobre uso
Largando a carcaça de medo e ilusão.
Aquilo chamado de pura inocência
Vestia não-dita, mas tal competência
Prazer de ser vítima em inconsciência
É Instinto intuído de sobrevivência
Agora no entanto são vívidos fatos.
Deixemos a ela o nosso ultimato:
São ocos! É culpa o nosso chicote!
Sentindo prazer, isso não é boicote.
(o sul é a vida; a morte, o norte!)

Mandato do Querer (ago/06)

Compreendo agora, nesse mesmo instante
Que o borrado passado, não muito distante,
É simples pedaço de falso brilhante
Usamos (des)culpa de sermos infantes:
E agora, crescidos, dizemos: abuso
Mentira que seja uma repetição
Façamos um novo e mais nobre uso
Largando a carcaça de medo e ilusão.
Aquilo chamado de pura inocência
Vestia não-dita, mas tal competência
Prazer de ser vítima em inconsciência
É Instinto intuído de sobrevivência
Agora no entanto são vívidos fatos.
Deixemos a ela o nosso ultimato:
São ocos! É culpa o nosso chicote!
Sentindo prazer, isso não é boicote.
(o sul é a vida; a morte, o norte!)

segunda-feira, 26 de março de 2007

A Camisa Branca


Sentei-me para tomar café.
Senti-me realmente estúpida. Não a princípio. A princípio, senti-me realmente elegante, na cafeteria:
- Dê-me um capuccino, por favor. Posso sentar lá fora?
- Claro!
Respondeu a balconista, de avental negro, que poderia ser qualquer outra, tão pouco individual que era.
Sentei-me para tomar o café.
Uma mulher de olhos tristonhos, cheia de neblina por dentro, com camisa branca de botões.
Adoro usar camisa branca de botões. Não sei porque tenho apenas uma. Talvez porque fique ocupada escolhendo o dia para usá-la. Penso: ‘não, hoje não é o dia. Quem sabe mais à noite, se formos na casa de alguém, passear ou sair para jantar. Mas, na maioria das vezes, não saímos ou então faz frio para a camisa que tem mangas curtas. Ou é calor e a camisa tem, mesmo que curtas, mangas.
Então, esperamos o dia. Eu e a camisa.
Hoje, depois que estivemos abraçados, derretidos na cama, vesti a camisa sem pensar. Abotoei-a na frente do espelho e achei elegante.
Agora, na vitrine da loja de cafés, vejo-me. Sentada, a mulher tristonha que insiste em escrever coisas.
Às vezes, acho fruto da minha arrogância isso de querer escrever.
Esperança. Alguém irá ler e se identificar. Esse alguém, ao final do lido, molhará os olhos e sentirá a volúpia agradecida por minha grande capacidade de tradução. E, claro, irá amar a autora.
Escondo de mim meu desejo grandioso de furor curandis. Ora, não o escondo tanto. Vejo-o logo, em dias como hoje, com a camisa branca. Especialmente se me encorajo a escrever.
E, por fim, o meu furor é de curar a mim.
São meus os olhos que se molham ao final do escrito. É a mim que visito quando escrevo. E sou eu a leitora que vê tradução e sente amor pela autora.
Igual à mulher de avental negro, sou a mulher de camisa branca. Que poderia ser qualquer outra, tão pouco individual que sou.
Sou mais um agrupamento.

EU TE DISSE

Entro na cozinha de manhã. Quer dizer, entro na cozinha às 11h, que é toda a minha manhã. As ondas de calor desde a porta já me avisavam q...