sábado, 5 de maio de 2007

Soltura


Os cadarços do tempo são desamarrados
Ele anda com os sapatos soltos
Confortável e folgado
Eu às vezes ando com pressa
Como se os sapatos me apertassem
Quando acontece perco detalhes
Que são irmãos do vagar.

Às vezes teimo que ele se aprume
Que aperte o passo
Mas ele, nada.
Me responde bocejando
Com hálito de manhã dominical
Que tudo chega na sua hora.

Se dou a mão para ele
Ando mais solta
E ele vem para dentro de mim
E traz junto o acaso

Deixo de me sentir com sorte
Passo a ver que faço parte
De um esquema que desconheço
Mas que apreendo e recrio
Até que saia como quero
(Quando tenho coragem
De querer saber o que estou querendo)

Meu querer é como eu
Movediço
Mas não quebradiço
Ele é arredondado e relaxado
Feliz em ser como é.

Por isso é que eles se entendem
O Tempo, o Acaso e meu Querer
Juntos, tudo resolvem.

Soltura


Os cadarços do tempo são desamarrados
Ele anda com os sapatos soltos
Confortável e folgado
Eu às vezes ando com pressa
Como se os sapatos me apertassem
Quando acontece perco detalhes
Que são irmãos do vagar.

Às vezes teimo que ele se aprume
Que aperte o passo
Mas ele, nada.
Me responde bocejando
Com hálito de manhã dominical
Que tudo chega na sua hora.

Se dou a mão para ele
Ando mais solta
E ele vem para dentro de mim
E traz junto o acaso

Deixo de me sentir com sorte
Passo a ver que faço parte
De um esquema que desconheço
Mas que apreendo e recrio
Até que saia como quero
(Quando tenho coragem
De querer saber o que estou querendo)

Meu querer é como eu
Movediço
Mas não quebradiço
Ele é arredondado e relaxado
Feliz em ser como é.

Por isso é que eles se entendem
O Tempo, o Acaso e meu Querer
Juntos, tudo resolvem.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Sabiá

No recolhido do sol
A noite espalhada
Recorro à poesia

No recorrer do sol
A noite encolhida
Recolho poesia

Percorrido o mundo
Movida na noite
Revuelta poesia

Que sou mar
Grande de brincar
Iara de mim
E pequena Iansã

A Caetanear
Sou teu sabiá
Sabe-amar
Sabe-amar


Canta o sabiá

Achei que sabia amar
Mas é que amor não se sabe
E eu não sabia
(Se é)
O amor cai em pé
É gato escaldado
Esperto e rapina
O amor me alucina
De ser como é

E sou mar
Mar grande de amar

E me derramo em ti
Nas milhas de praia
A lamber-te areia
A brilhar lantejoulas
Na beira do mar

E eu beiro a ti
A me cercear

No abraço que contém
Um oceano
O meu se derrama
(E ama)
Vem pratear
O pranto distante
De quem não está

Sou mais viva hoje
No tempo de amar
Que existe num quando
Instante em piscar

(Te amo, querido.
Mas parla piano
Que sou cristalina
No medo de amar)

Sou tua menina
O teu sabiá

Sabiá

No recolhido do sol
A noite espalhada
Recorro à poesia

No recorrer do sol
A noite encolhida
Recolho poesia

Percorrido o mundo
Movida na noite
Revuelta poesia

Que sou mar
Grande de brincar
Iara de mim
E pequena Iansã

A Caetanear
Sou teu sabiá
Sabe-amar
Sabe-amar


Canta o sabiá

Achei que sabia amar
Mas é que amor não se sabe
E eu não sabia
(Se é)
O amor cai em pé
É gato escaldado
Esperto e rapina
O amor me alucina
De ser como é

E sou mar
Mar grande de amar

E me derramo em ti
Nas milhas de praia
A lamber-te areia
A brilhar lantejoulas
Na beira do mar

E eu beiro a ti
A me cercear

No abraço que contém
Um oceano
O meu se derrama
(E ama)
Vem pratear
O pranto distante
De quem não está

Sou mais viva hoje
No tempo de amar
Que existe num quando
Instante em piscar

(Te amo, querido.
Mas parla piano
Que sou cristalina
No medo de amar)

Sou tua menina
O teu sabiá

domingo, 29 de abril de 2007

A Persiana

Gritam as pessoas todas na rua
A vizinha recolhe a roupa
A persiana da sala pousa silenciosa
Pateticamente torta
De certo por algum puxão levado
Ninguém vem endireitar a pobre
É como um horizonte inclinado
Como alguém que olha sobre o torcicolo
Gritam as pessoas todas na rua
Para serem notadas de torta maneira
Na sua torta presença.
Mais sábia é a persiana
Parece um sorriso em meia boca
Com cuja visão entortada
Parece divertir-se.

A Persiana

Gritam as pessoas todas na rua
A vizinha recolhe a roupa
A persiana da sala pousa silenciosa
Pateticamente torta
De certo por algum puxão levado
Ninguém vem endireitar a pobre
É como um horizonte inclinado
Como alguém que olha sobre o torcicolo
Gritam as pessoas todas na rua
Para serem notadas de torta maneira
Na sua torta presença.
Mais sábia é a persiana
Parece um sorriso em meia boca
Com cuja visão entortada
Parece divertir-se.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

A Lavadeira


Enfim a máquina se pronuncia
A bater-se toda
Debatendo-se com os giros internos
Com o sifão a rodar
E a exaurir-se das lágrimas e do sabão
Finda a roupa suja
Ficam os vapores de amaciante
A amaciar o ar e os tecidos
Alvejo a vida certa
Lavo-me com sabão
Feliz, feliz, feliz (?)
Ensaboa, branquela, ensaboa
Ensaboa!
Tô ensaboando.
A ver se tiro os detritos
E dejeto-os de vez.
Mas alveje só:
Parece que não se findam
Sou um encardume
Ou brancura
É coisa que não tem.

A Lavadeira


Enfim a máquina se pronuncia
A bater-se toda
Debatendo-se com os giros internos
Com o sifão a rodar
E a exaurir-se das lágrimas e do sabão
Finda a roupa suja
Ficam os vapores de amaciante
A amaciar o ar e os tecidos
Alvejo a vida certa
Lavo-me com sabão
Feliz, feliz, feliz (?)
Ensaboa, branquela, ensaboa
Ensaboa!
Tô ensaboando.
A ver se tiro os detritos
E dejeto-os de vez.
Mas alveje só:
Parece que não se findam
Sou um encardume
Ou brancura
É coisa que não tem.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Cajuína


De longe (tão longe)
Vem a voz
Que não foi esquecida
História imemorial

Blur
Bluuuur

Faz o som

É ele
O outro que se fez depois

Com o vento
Os cristais
O encanto
Seus ais

Eu pedia em cantiga
Não me desperte, amor

Me despedindo
Só um pouquinho mais de solidão

Acordando depois
Sozinha, como sou
(acompanhada ou não)
Como somente (só mente) é

Ele se despindo do sal
E do mal
E do bem
Aportando

Como é real e certo

E eu na ponte
De mim

Existirmos a que será que se destina,
Cajuína?

Inventemos, pois.
E tornemo-nos.

No mais, és.
No mais, sou.

Cajuína


De longe (tão longe)
Vem a voz
Que não foi esquecida
História imemorial

Blur
Bluuuur

Faz o som

É ele
O outro que se fez depois

Com o vento
Os cristais
O encanto
Seus ais

Eu pedia em cantiga
Não me desperte, amor

Me despedindo
Só um pouquinho mais de solidão

Acordando depois
Sozinha, como sou
(acompanhada ou não)
Como somente (só mente) é

Ele se despindo do sal
E do mal
E do bem
Aportando

Como é real e certo

E eu na ponte
De mim

Existirmos a que será que se destina,
Cajuína?

Inventemos, pois.
E tornemo-nos.

No mais, és.
No mais, sou.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Vinte Minutos


Vinte minutos faltam
Para amanhã
Quatro cigarros, aproximadamente
E amanhã chegará
Pungente
Independentemente
Independente – mente minha
O amanhã romperá
A manhã violentará a noite
Apesar dos berros que daria
Apesar de meus latidos e uivos
A realidade desliza
Por sobre mim
Pra que insisto em revoltar-me?
Pra que insisto em revoltas
Se voltas e voltas o mundo dá
Se a poesia tão pouco silencia
Se a paixão é uma dama japonesa
Ou um whisky irlandês
(Bebo)


Quem sou afinal?
Se pergunto, some a resposta
Sobra a verdade



A verdade que falo

É indizível.

EU TE DISSE

Entro na cozinha de manhã. Quer dizer, entro na cozinha às 11h, que é toda a minha manhã. As ondas de calor desde a porta já me avisavam q...