sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Nomes. John Lennon da Silva, por exemplo. [Crônica Falada]

Assista esta Crônica Falada
Crônica de @cinthyaverri exibida em 23.02.2011
Crônica Falada é um quadro do programa Camarote TVCOM
(segunda a sexta, 18h30, na TVCOM - Canal 36 UHF/NET).
Apresentação @katiasuman

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Programa Polêmica [21.02.2011]


- Professor de Educação Física, Presidente da Associação de Academias do Rio Grande do Sul e da Associação dos Grupos de Corrida do RS, ROGÉRIO MENEGASSI

- Chefe da Divisão de Operação e Engenharia do Sistema de Transmissão da CEEE, LUIS CARLOS TADIELLO

- Lauro Quadros

- Médica e psicoterapeuta, CÍNTHYA VERRI


Fim do horário de verão. Você comemora ou lamenta?

Comemora - 58%
Lamenta - 42%
Total de votos: 595


Ouça este Programa Polêmica aqui:
http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=167568&channel=232

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Tacapes a Postos [Crônica Falada]

Assista esta Crônica Falada
Crônica de @cinthyaverri exibida em 16.02.2011
Crônica Falada é um quadro do programa Camarote TVCOM
(segunda a sexta, 18h30, na TVCOM - Canal 36 UHF/NET).
Apresentação @katiasuman

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Quatro Dedos

Joceleine. Até o nome facilitava serviço:

— Jooo-ce!

Gritava a tia Alberta, famosa pela colher de ferro sobre as empregadas. Mas não com Joce.

— Joce é um doce!

Dizia a tia, orgulhosa da criada. A menina não fazia por menos: lavava, picava, triturava, passava, lustrava. Era rápida e nem precisava mandar.

Cozinheira de mão cheia, uma luxúria nas doçuras: Barriga de Freira, Toucinho do Céu, Papo-de-anjo, Fatia-de-bispo, Pão-de-ló, Bolo de Reis, Beijos de Freira, Pastéis de Santa Clara, Bolo da Abadessa, Pudim à Abade de Priscos.

E os salgados? Pura gula. Tinha a pitadinha zelosa para o bobó de frango, bolinhos de batata crua, coloridos bifes de cenoura, almôndegas ao molho, macarronada especial, farofinha e nhoque. A família engordava.

Joce era uma santa. Não dava um pio. Não se queixava, não pedia, não arrependia. A moreninha saiu-se da linha do xingu, quase indiazinha. Aprendia tudo a toque de caixa. A tia tinha paciência e levava mérito: ensinou cada um dos quitutes. E agora, depois de um ano, cada vez mais ajeitada - as roupas, os sapatinhos. Graciosa que só vendo. A tia ajudando a mocinha a aprender a ler, queria que ela voltasse pra escola. A bem da verdade, a tia queria a menina pra filha.

Teve quatro marmanjos. Dois ainda morando com ela. Sendo assim, a tia vivia mesmo como rainha no meio de cinco machos, contando com o marido. Cada um mais brutamontes que o outro. Sempre aprontando, a tia quase arrancava os cabelos. Soltos nas malandragens com as moças, ainda mais que Leonardo e Cícero, os dois remanescentes, trabalhavam na estrada. Eram caminhoneiros. Aí, já viu.

Tanta oração guardava validade: Alberta sabia reconhecer a bondade porque Joce era a bênção que ela recebia do senhor. Tinha certeza.

Passou o natal e a tia precisava se ausentar uns dias para visitar um familiar adoentado. Antes de ir ameaçou:

— Ninguém rela um dedo na Joce. Ouviram? Nem um dedo sequer!

Leonardo e Cícero assentiram na hora, com cara de coroinhas. Mas nem bem a tia arrancou com as malas, Cícero foi direto bolinar a indiazinha no fogão.

Ai, que dó: a Joce nem sabia esquivar. Leonardo rachou atrás de Cícero:

— Pára com isso, cara! Que pensa que está fazendo? A Joce é o xodó da mãe!

Cícero fez que nem viu. Passou o dia provocando a bichinha. Mas Leonardo fez a voz da consciência - insistiu até que Cícero tomou centro.

De manhazinha, acordou a tempo de ver Joce saindo fininha do quarto de Leonardo.



Cínthya Verri's "Joce"
Nanking e lápis sobre papel


Quatro Dedos

Joceleine. Até o nome facilitava serviço:

— Jooo-ce!

Gritava a tia Alberta, famosa pela colher de ferro sobre as empregadas. Mas não com Joce.

— Joce é um doce!

Dizia a tia, orgulhosa da criada. A menina não fazia por menos: lavava, picava, triturava, passava, lustrava. Era rápida e nem precisava mandar.

Cozinheira de mão cheia, uma luxúria nas doçuras: Barriga de Freira, Toucinho do Céu, Papo-de-anjo, Fatia-de-bispo, Pão-de-ló, Bolo de Reis, Beijos de Freira, Pastéis de Santa Clara, Bolo da Abadessa, Pudim à Abade de Priscos.

E os salgados? Pura gula. Tinha a pitadinha zelosa para o bobó de frango, bolinhos de batata crua, coloridos bifes de cenoura, almôndegas ao molho, macarronada especial, farofinha e nhoque. A família engordava.

Joce era uma santa. Não dava um pio. Não se queixava, não pedia, não arrependia. A moreninha saiu-se da linha do xingu, quase indiazinha. Aprendia tudo a toque de caixa. A tia tinha paciência e levava mérito: ensinou cada um dos quitutes. E agora, depois de um ano, cada vez mais ajeitada - as roupas, os sapatinhos. Graciosa que só vendo. A tia ajudando a mocinha a aprender a ler, queria que ela voltasse pra escola. A bem da verdade, a tia queria a menina pra filha.

Teve quatro marmanjos. Dois ainda morando com ela. Sendo assim, a tia vivia mesmo como rainha no meio de cinco machos, contando com o marido. Cada um mais brutamontes que o outro. Sempre aprontando, a tia quase arrancava os cabelos. Soltos nas malandragens com as moças, ainda mais que Leonardo e Cícero, os dois remanescentes, trabalhavam na estrada. Eram caminhoneiros. Aí, já viu.

Tanta oração guardava validade: Alberta sabia reconhecer a bondade porque Joce era a bênção que ela recebia do senhor. Tinha certeza.
Passou o natal e a tia precisava se ausentar uns dias para visitar um familiar adoentado. Antes de ir ameaçou:

— Ninguém rela um dedo na Joce. Ouviram? Nem um dedo sequer!

Leonardo e Cícero assentiram na hora, com cara de coroinhas. Mas nem bem a tia arrancou com as malas, Cícero foi direto bolinar a indiazinha no fogão.

Ai, que dó: a Joce nem sabia esquivar. Leonardo rachou atrás de Cícero:

— Pára com isso, cara! Que pensa que está fazendo? A Joce é o xodó da mãe!

Cícero fez que nem viu. Passou o dia provocando a bichinha. Mas Leonardo fez a voz da consciência - insistiu até que Cícero tomou centro.

De manhazinha, acordou a tempo de ver Joce saindo fininha do quarto de Leonardo.



Cínthya Verri's "Joce"
Nanking e lápis sobre papel


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cavaleiro do Apocalipse [Crônica Falada]

Assista esta Crônica Falada
Crônica de @cinthyaverri exibida em 09.02.2011
Crônica Falada é um quadro do programa Camarote TVCOM
(segunda a sexta, 18h30, na TVCOM - Canal 36 UHF/NET).
Apresentação @katiasuman

sábado, 29 de janeiro de 2011

Um dia é da caça.

EPITÁFIO

Ó, Fera feroz que feriste meu faro?
Que farei? Que farei?

- Coloca um esparadrapo
e respira pela boca.




Semana da dieta de proteína. O famoso regime do caçador - praticamente só carne. À la Naomi Campbel: no carbs. São os sete dias extraordinários onde me ajoelharia por uma colher de açúcar ou uma gotinha de mel; quando posso comer tudo o que aguentar num rodízio de grelhados e não quero nada com salgado: fico babando com o cheiro das padarias e mataria por um brioche.

Por que eu faço? Porque funciona. Nada melhor que uma semaninha protéica para recuperar os excessos de uma série de comilanças e os dois quilinhos chatos que chegaram de mala e cuia.

Este é o cenário quando convido Bitols para irmos ao churrasquinho. Claro, ele queria ir na boutique de bolos da esquina, só para provocar. Insisti, pedi por favor, tá, vamos lá.

Desde que entrou no carro, o celular não parava de tocar. Primeiro tentou disfarçar, apenas silenciou com o botão de rejeitar. Continuou o assunto, a questão dos croissants e tal. Mas irromperam as guitarras do Cake desde seu aparelhinho e, como num dèjá vu, mecanicamente cancelou a chamada. Outra vez, na sequência, e ele sequer olhou o visor - significando que isso já estava assim antes mesmo de chegar para buscá-lo.

Repetiu-se a insistência telefônica e, bem, perguntei:

- E aí? Que passa?
- Sei lá, um número que não conheço.

- Atende, ué?

- Não, não...

Evasivo, mas compenetrado em diluir a encrenca, continuou:

- Pois então, e quando acaba essa tua diet... – tãna-tãnana-tãna-tãnana-tãna as distorções iniciais de “Opera Singer”, anunciando que a criatura insistia.

- Atende, poxa.

Atendeu. Desligou.

- Ih, mas é a cobrar.

A essa altura você já imagina que eu montava em um porco. Adicione-se a isso o fato de que estava farta de presunto. Putaquepariu, Bitols! Pensei, mas não falei.

Óbvio: uma bruaca ligando a cobrar. Nada melhor para chamar a atenção de um homem que ligar a cobrar. Ou ainda: liga do seu número, o cara ignora. Daí disca de outro telefone, ou de origem bloqueada. Por que diabos ele não põe no silencioso! Pensei, mas não falei. Ai, que ódio!

Chegamos finalmente na casa de espetinhos e o trem desandou a tocar pela enésima. Bufei. Pressionou o verdinho e tava alto o volume do fone:

Tandan-tandadan-tandandan – chamada a cobrar, para aceitá-la continue na linha após a identificação – turuuuuuru...

- Alô! – enfezadíssimo – Quem fala?

- Ahsgdiuhkfjosdilgjldkamg – disse a voz feminina, mas ininteligível.

- Sônia. Quer falar com quem, Sônia? – Ríspido, brutal e sem dar chance de resposta, emendou:

- Olha, isso é um engano, ouviu? Não me ligue nunca mais!

Pois é. O cara da bancada, em frente às brasas, esquentou os olhos e quase explodiu rindo. Bitols, recomposto, sorriu desajeitado e inventou:

- Haha, parece que estou brabo mesmo, né?

- Aham. Ninguém notou nada. Foi super sutil.

___________________________________________________________________


Ouça Opera Singer,
 o ringtone do Bitols

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

We are Wii [Crônica Falada]

Assista esta Crônica Falada
Crônica de @cinthyaverri exibida em 19.01.2011
Crônica Falada é um quadro do programa Camarote TVCOM
(segunda a sexta, 18h30, na TVCOM - Canal 36 UHF/NET).
 Apresentação @katiasuman


Obrigada @vicentecarpinejar pelas fotos lindas!
Conheça o Vicente em seu [EU] [VI] [BICHOS]

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Programa Polêmica [19.01.2011]

Programa Polêmica, Rádio Gaúcha, 19/01/2011 - 9h30
Ouça aqui: Polêmica


Entrevistados:

- Tatuador Eduardo de Mingo (Edu Tattoo)

- Médica e Psicoterapeuta Cinthya Verri

- Vice-presidente de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Recursos Humanos (RS), Gerson Luis da Silva
- Juiz Militar Paulo Roberto Mendes



Tatuagens eliminam candidatos a salva-vidas. Você curte tatuagens ou considera de mau gosto?

Curte tatuagens - 32%
Considera de mau gosto - 68%
Total de votos: 570
Publicado em: 19/01/11
9 exibições | 0 comentários

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

OH!

Ray Cesar's Day Break Study 2 Above (2008)
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Digital Ultrachrome on Paper




Quem já não viu a seleção da Garota Verão ou de um concurso de miss?

E acreditou que fosse falso o espanto da vencedora, o assombro de lábios pintados, aquele grito de quem enxergou a si mesma lá adiante. A fofoca é instantânea: ela está fingindo que não sabia, falseando modéstia, provando para a torcida que não tinha sequer ideia de que fosse possível conquistar a faixa.

Talvez ela esteja sendo natural. Nosso medo mais insondável, mais sério e escondido é de vencer. A perdedora fica até aliviada, não terá que corresponder mais às expectativas. Recebe a confirmação imaginária de que não é predestinada. Suspira que não era para ser e já desiste.

Pouco se comenta do pânico da alegria, o pavor de ver reconhecida. Mais cômodo perder e ser imprópria, inadequada, tanto para transferir a culpa quanto para desistir de trabalhar mais.

O sucesso é uma solidão. Não é coisa simples, fácil. Temos muito mais medo da nossa força que da nossa fraqueza.

Preferimos chamar a derrota de injustiça ou a vitória de destino em vez de assumir a responsabilidade pela própria pontuação.

Preferimos nos apequenar e não gerar incômodo a quem está ao redor.Não provocar preocupações. A vitória é um manancial de preocupações: o que vou fazer agora, como me superar, como manter a posição?

E suportar a inveja disfarçada de crítica e o interesse imediato dos outros que nada mais é do que oportunismo.

De que modo descobrir que aquela companhia amorosa procura o nosso sucesso ou aquela que chegou até ele?

A coragem de dar continuidade na busca do que se quer não é para todos. A ordem do dia é coragem. De novo, de novo e de novo. Nosso melhor é sempre provisório, e renovável.

Na verdade, o vencedor e o perdedor não estão prontos, ambos entendem o valor da insistência.

O resto fica por conta do acaso.

Assista essa crônica Falada
Crônica de @cinthyaverri exibida em 11.01.2011
Crônica Falada é um quadro do programa Camarote TVCOM
(segunda a sexta, 18h30, na TVCOM - Canal 36 UHF/NET).
 Apresentação @katiasuman




Esta matéria foi publicada No Especial GAROTA VERÃO - 

Confira a edição no local:

EU TE DISSE

Entro na cozinha de manhã. Quer dizer, entro na cozinha às 11h, que é toda a minha manhã. As ondas de calor desde a porta já me avisavam q...