Um amigo me explicou sobre o saque no jogo de tênis:
há o tipo que se posiciona sombrio à beira da quadra, acomoda o pé, respira, ajeita o grip da raquete, ajeita a empunhadura, pica a bolinha duas vezes exatamente, inclina-se, lança a bola ao alto, segura novamente, pica a bolinha duas vezes exatamente, inclina-se em reverência, lança a bola ao alto e atira a bolinha na rede. É claro.
Existe o tipo que pode até fazer os mesmos movimentos, mas sem a métrica mental: com graça, mas sem grandeza.
Ele apenas saca.
Esse é o tipo que pode fazer um ace.
Não que isso reduza o grau de dificuldade, que seja preciso tomar menos cuidado.
Isso não significa dispensar a tática, isso não desmerece a técnica.
Mas a própria concentração exige que a gente se diminua.
Não o apequenamento da desvalia, mas o ver-se pequeno como somos, para se ajudar, dar colo a si mesmo, apoiar-se não importa em que condição.
Manter-se atento e cuidadoso é saber-se pouco, frágil, precário, raro – insubstituível apenas para si mesmo.
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