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sábado, 17 de janeiro de 2009

Paul Celan - Marianne

Sem lilases é o teu cabelo, o teu rosto de espelho.
De olho para olho segue a nuvem, como de Sodoma para Babel:
desfolha a torre como folhagem e brama em torno do arbusto de enxofre.

Há então um relâmpago cortando a tua boca - aquele abismo com os restos do violino.
Com dentes de neve há um que maneja o arco: mais belo o som da cana!

Amada, também tu és a cana e nós todos a chuva;
o teu corpo um vinho sem igual, e somos dez a bebê-lo;
o teu coração uma barca no trigo, nós levamo-la em direção à noite;
um cantarinho azul, saltas assim ligeira sobre nós, e nós dormimos...

Passa diante da tenda a centúria, e emborrachados levamos-te a enterrar.

E soa então nas lages do mundo o duro táler dos sonhos.

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