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sábado, 11 de dezembro de 2010

Baila-me.



 Marc Johns'Swedish Lullabies at his own http://www.marcjohns.com/



Homem que sabe dançar é faceiro. Homem que sabe dançar é alegrinho.

Não falo do companheiro que acabou arrastado para a aula de dança de salão ameaçado da extinção do casamento. Não incluo aqui o marido domesticado que troca passos com dificuldade na valsa, que sempre erra a saída do xote e do xaxado. Nem mesmo digo do cabra que jamais sugere uma noitada musical, mas sim aquiesce à implacável insistência feminina e parte quase triste à boate.

O homem que dança é perequeté. A mulher sabe disso, mas insiste em afirmar que adora homem que dança, acha lindo, acha moderno.

É mentira.

Mulher gosta de homem que toma gesso no copo junto com o whisky – e fica lá, feito estátua. Se não é o deus grego que ela pedia, ao menos é uma escultura da indonésia. Um macho real, que vai dar trabalho, que vai dar motivo pra reclamar, que vai dar nos nervos e que certamente vai dar no couro.

Como uma mulher pode pedir a um dançarino airoso que lhe bata na bunda? Que lhe suje a cara? Não cabe. É impossível.

Ele quererá encontrar coreografia sob lençóis. Nada mais desinteressante que um parceiro indicando com toques suaves a direção a ser tomada.

Bom mesmo é homem que grita e dá ordem no quarto, aquele que chega e assusta. Maravilha é a voz grossa, retumbante, à moda antiga, varonil, banhada em testosterona, sem disfarce – ele não tenta agradar. Um homem que não enverga, que não amolece, que não se dobra. O homem que não rebola no compasso, não se perderá do papel que esperamos que ele desempenhe.

O homem fino, florido e frajola possivelmente sofra de ejaculação precoce. Enquanto os amigos treinavam punheta, ele passeava com a mãe pelas lojas de tecido.

O camarada soltinho das pernas e que não é Elvis Presley, está condenado à não comer ninguém. Ele não compreende, afinal, é amável, sociável, agradável e tudo mais ável que existe. As amigas, em sua defesa, afirmam que também não sabem porque seu último namoro não deu certo. O fato é que ele sempre a convidava para dançar e, numa noite qualquer, a senhorita encostou-se, por acaso, num corpulento e harto machão que estava parado. O homem parado, a gente tem mais chance de encontrar. Pensamos que é uma parede e acabamos sentindo o tijolo.

Um bailarino galante, abonecado, é, com certeza, nosso melhor amigo. Mas a verdade é que amamos o patrão do vem-cá-minha-nega, que nos arranca do salto e diz que dançar separado, feito dois corvos envenenados, é coisa de viado.

Ao menos está tentando ser homem.

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